Pretende-se, com a criação desta página, divulgar a intervenção psicológica ao nível da Prevenção, da Terapêutica e da Comunidade, junto de crianças e adolescentes, adultos e seniores, nos contextos clínico, educacional, forense, organizacional e formativo.
«Cientista português ajudou a identificar área do cérebro que controla a passagem de uma acção automática para uma acção intencional. Descoberta pode vir a ajudar pessoas com vícios e compulsões.O vício de jogar nos casinos pode estar associada a uma alteração no córtex órbito-frontal CHERYL RAVELO/REUTERS (ARQUIVO)Muitas das acções humanas são automáticas. Uma delas é carregar no botão com o número do andar de casa quando se entra no elevador. Depois de se repetir esta acção durante dias, é um descanso não gastar um segundo a pensar neste gesto. Mas se algo muda, como termos de visitar o vizinho que mora noutro andar, então convém prestar atenção ao que estamos a fazer para não seguirmos, erradamente, para casa. Esta tomada de atenção, que resulta numa acção pensada mas muito similar — carregar noutro botão do elevador —, decorre de uma mudança ocorrida no nosso cérebro. Um estudo liderado pelo neurocientista português Rui Costa identificou a estrutura cerebral responsável por esta mudança.Os resultados relativos a esta descoberta, publicados nesta terça-feira na revista Nature Communications, podem oferecer uma nova estratégia para o tratamento de comportamentos obsessivo-compulsivos.“Fala-se dos hábitos [acções automáticas] e das acções intencionais, mas não se estuda muito como é que se passa de uma acção para a outra”, diz Rui Costa, que agora é chefe do grupo de Neurologia da Acção do Centro para o Desconhecido da Fundação Champalimaud, em Lisboa. Mas este estudo começou antes de Rui Costa vir para Portugal em 2009, e conta com Christina Gremel, investigadora do Instituto Nacional para o Abuso do Álcool e do Alcoolismo, um dos muitos institutos nacionais de saúde dos Estados Unidos.Já se conheciam as três áreas do cérebro que estavam envolvidas na passagem de uma acção automática para uma acção intencional: o córtex órbito-frontal, que fica numa região mais externa do cérebro perto da testa, e dois gânglios de base que ficam numa região mais interior do cérebro, chamados “estriado lateral” e “estriado medial”.No passado, o estriado lateral foi associado a acções automáticas, enquanto o estriado medial foi ligado a acções intencionais. O córtex órbito-frontal fica a montante e projecta neurónios nos dois estriados. Mas desconhecia-se se a passagem de uma acção automática para uma intencional implicaria a substituição da actividade neuronal no estriado lateral pela actividade no estriado medial ou se, ao invés, estaríamos perante um jogo com actividade entre os dois gânglios.“Pusemos eléctrodos muito finos dentro do cérebro de ratinhos para poder ler a actividade destas três zonas”, diz Rui Costa, explicando a experiência que realizou. Depois, a equipa colocou os ratinhos em duas casinhas, cada uma com uma alavanca que, pressionada, dava direito a água com açúcar. Mas as alavancas funcionavam de modo diferente: numa das casas, havia uma espécie de slot machine, que dava a recompensa à sorte. Na outra, quanto mais o ratinho carregava na alavanca, mais água com açúcar recebia.Isto permitiu à equipa testar a mudança de um comportamento repetitivo nos ratinhos que estavam na casa com a slot machine e que ficavam a carregar na alavanca — como as pessoas que jogam nas slot machines dos casinos —, para um comportamento intencional na outra casa.“A actividade no córtex órbito-frontal correlacionava-se muito com a mudança do hábito para um comportamento intencional”, diz Rui Costa, referindo-se às medições feitas nas três regiões do cérebro dos ratinhos.Mais: quando silenciaram a actividade no córtex órbito-frontal, os animais mantiveram-se sempre com comportamentos automáticos. Já quando a estimularam, todos os animais transitaram de uma acção automática para uma intencional.A equipa também verificou que esta mudança não significou o silenciamento da actividade neuronal do estriado lateral e a activação do estriado medial. Apesar de a actividade passar a ser maior no estriado medial, os dois gânglios mantiveram-se activos numa única rede.A descoberta da importância do córtex órbito-frontal nestas acções pode vir a ser importante no controlo de vícios ou problemas obsessivo-compulsivos. “Esta área é a que mais aparece afectada na compulsão, em que a pessoa perdeu o controlo: lava as mãos frequentemente e, apesar de ter acabado de lavar as mãos, não consegue controlar o gesto”, exemplifica Rui Costa.“A nossa esperança é fazer com que estas pessoas voltem a controlar as suas acções através de uma experiência não invasiva.” Para isso, o cientista pretende colocar eléctrodos na cabeça de doentes, na zona do córtex órbito-frontal, para activar os neurónios nesta região utlizando uma estimulação electromagnética. Poderá assim testar se estas pessoas voltam a ter controlo das suas acções.»
«Responsáveis da Rede de Cuidados Continuados defendem que a “débil” informação sobre este novo direito condiciona o acesso dos cidadãos.Desde 2006 criaram-se quase seis mil novos lugares em unidades de cuidados continuados NÉLSON GARRIDOA deficiente informação sobre a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) está a provocar “racionamento no acesso dos cidadãos a este novo direito de promoção da autonomia e de recuperação global”. Este é justamente o “ponto fraco” da rede, defendem os autores do relatório final sobre a Implementação e monitorização da RNCCI, que acaba de ser divulgado.
“A informação sobre a existência da RNCCI, seus objectivos e como aceder, é em geral ainda débil e pouco divulgada na sociedade em geral, nas famílias, no sistema de saúde, hospitais e centros de saúde”, concluem os responsáveis pela rede. Um problema que, sustentam no relatório, está a causar “racionamento no acesso”, porque muitos cidadãos ignoram que poderiam usufruir deste direito e nem o reivindicam, sequer.
Lançada no final de 2006, a RNCCI foi criada para dar uma resposta integrada às pessoas que estão em situação de dependência, temporária ou prolongada, a maior parte das quais são idosas, e visa, entre outras coisas, evitar o prolongamento desnecessário de internamentos hospitalares. É constituída por unidades de várias tipologias — de curta, de média e de longa duração — e inclui ainda lugares de internamento para cuidados paliativos e equipas que prestam cuidados domiciliários.
Desde Outubro de 2006 até Dezembro passado, criaram-se 5911 lugares de internamento, quase metade dos quais nas unidades de longa duração e manutenção (um máximo de permanência de nove meses) e uma parte significativa nas unidades de média duração e reabilitação.
Em 2012 criaram-se apenas 316 novos lugares de internamento e várias unidades prontas para abrir permaneceram fechadas por falta de verbas. Mas a situação vai mudar até ao final deste ano, com a disponibilização de mais cerca de 800 camas, como anunciou recentemente o primeiro-ministro.»
«Documento já foi aprovado pela tutela e reforça importância dos cuidados de saúde primários.O documento define a quem compete a responsabilidade de abordar as situações de dependência de jogo RUI GAUDÊNCIOToxicodependentes e pessoas viciadas em jogo vão passar a integrar uma rede de referenciação de comportamentos aditivos, já aprovada pelo Governo, em que centros de saúde, hospitais e unidades especializadas trabalharão em conjunto para uma intervenção mais precoce.A Rede de Referenciação/Articulação no âmbito dos Comportamentos Aditivos e das Dependências “está feita”, carecendo apenas de “algumas afinações”, revelou o director do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).João Goulão explicou que esta rede é “uma reformulação” do documento aprovado em 2010, ainda na vigência do antigo Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), para referenciação das pessoas com problemas ligados ao álcool, que envolvia os cuidados de saúde primários, unidades de toxicodependências, alcoologia, saúde mental e serviços hospitalares. “Agora, com a passagem das unidades do IDT para a dependência das Administrações Regionais de Saúde (ARS) houve uma reformulação desse documento”, feita pelo SICAD e as ARS.O documento, já aprovado pelo secretário de Estado adjunto e da Saúde, Fernando Leal da Costa, “estabelece os níveis de intervenção dos cuidados de saúde primários, das unidades especializadas e ultra especializadas e quais deverão ser os circuitos dos doentes em cada região”, explicou. “O que se pretende é que a curto prazo haja também a referenciação de pessoas com outro tipo de problemas como o jogo patológico”, avançou. O documento servirá como “um manual de referenciação perante uma determinada situação e diagnóstico e estabelece a quem compete a responsabilidade de abordar as situações”, explicou João Goulão.Por outro lado, adiantou, pretende-se que os médicos de família tenham um papel ainda mais relevante, apesar de já serem “os principais identificadores” das situações. “O que pretendemos é que sejam dotados de mais conhecimentos nesta área, através de formação específica, e que sejam capazes de constituir verdadeiramente a primeira linha não só encaminhamento mas também na abordagem da terapêutica destas situações de adição”, sustentou.Para José Rocha Almeida, da Associação Portuguesa de Adictologia, esta rede irá “melhorar o nível de intervenção” juntos destes doentes. “Durante muitos anos este problema esteve praticamente confinado aos serviços de tratamento do IDT” e os “médicos de família não entravam muito nestes tratamentos, porque havia serviços próprios”, disse o psiquiatra. Neste momento, sublinhou José Rocha Almeida, “com a integração os serviços nas ARS, é altura dos cuidados primários e as áreas hospitalares trabalharem em rede para melhor detectar, intervir e referenciar estes utentes”.Para o psiquiatra, a rede vai permitir que o médico de família possa “detectar estas situações, intervir imediatamente e ao mesmo tempo sentir que pode contar com o apoio de estruturas especializadas e dos hospitais, caso seja necessário internamento”. Uma intervenção mais precoce possibilitará “um grande avanço no sentido de prevenir comportamentos de risco mais avançados que possam surgir à medida que os consumos se vão intensificando. Já a intervenção do médico de família poderá permitir um corte neste tipo de dependência e evitar comportamentos de risco que se podem agravar no futuro, acrescentou.»
«O movimento pela reutilização dos livros escolares "reutilizar.org" já
conta atualmente com 152 bancos de partilha gratuita de livros
escolares, distribuídos pelos 18 distritos do Continente e Açores,
faltando apenas a Madeira.
foto Arquivo/JN
Entre
os bancos mais recentes conta-se o do Agrupamento de Escolas Alexandre
Herculano, no Porto, que "vem dar uma importante ajuda aos bancos
existentes nomeadamente ao "SMARLE", um banco promovido pela autarquia
portuense que funciona no gabinete do munícipe, segundo um comunicado do
"reutilizar.org". O movimento destaca também que foi oficializada
a colaboração com a federação dos bancos alimentares que prevê que os
livros não reutilizáveis revertam a favor da campanha "Papel por
alimentos". Os locais e horários de funcionamento dos bancos, que
estão disponíveis para receber ou entregar livros gratuitamente, podem
ser consultados aqui»
Este vídeo é uma campanha de prevenção realizada pela Redcastle Productions, que mostra o que pode acontecer a uma criança que fique fechada num carro, nem que seja por 30 minutos.
Praticamente todos os dias ouvimos falar de Stress e dos seus efeitos
negativos na nossa saúde e bem estar. Todos os anos, os médicos prescrevem
milhões de antidepressivos, tranquilizantes e hipnóticos que resolvem apenas
parte do problema.
Mas ao contrário do que se pensa, o stress não merece uma visão tão
negativa, já que sem ele, provavelmente nem nos conseguiríamos levantar ou
realizar as tarefas do nosso dia-a-dia. Todo o bom desportista sabe que na
realidade o stress até pode constituir uma fonte de prazer.
O efeito real e imediato daquilo a que chamamos stress é a activação
de todos os recursos disponíveis, o que se revela indispensável em toda uma
variedade de circunstâncias desde situações de emergência, de avaliação ou
competição. O aumento da ansiedade melhora o desempenho, mas apenas até certo
ponto a partir da qual a relação inicialmente positiva passa a negativa,
decrescendo o desempenho à medida que a ansiedade aumenta.
Assim, é perfeitamente normal (e até importante) algum nível de ansiedade
durante as provas desportivas, a fim de maximizar o desempenho. O problema surge
quando o nível de ansiedade se revela excessivo e logo desadaptativo,
prejudicando os resultados.
Quase todos os acontecimentos são passíveis de provocar stress. Alguns
são perfeitamente óbvios – como o desemprego, divórcio, doenças graves... –
outros, nem por isso – actividades difíceis de conciliar, imprevistos,
frustrações, etc.
Todos sabemos que o exercício físico melhora a saúde: As estimativas indicam
que a boa forma física reduz o risco de morte em 40%. O Exercício físico
proporciona sensações de prazer, autocontrole e, quando praticado regularmente
pode mesmo ajudar a controlar as dependências. Desta forma praticando exercício
físico estamos a apostar na nossa saúde e a contribuir para a prevenção e
redução dos níveis do stress.
A tensão muscular é um dos sintomas mais frequentes do stress. As
postura incorrectas e o estilo de vida geralmente adoptado no dia-a-dia – em que
geralmente a única parte do corpo que exercitamos são os dedos, para escrever ao
computador – em nada colaboram para melhorar esta situação.
Contrariamente ao que a maioria das pessoas considera, a relaxação é muito
mais do que estar deitado num bom sofá a ouvir música clássica, já que o
conceito de relaxamento envolve o afrouxamento da regulação do sistema nervoso.
Devido à íntima relação entre o corpo e a mente, tensão mental implica tensão
muscular e vice-versa, pelo que a relaxação se revela particularmente importante
no combate ao stress.
Infelizmente, e apesar destas inúmeras vantagens a prática de exercício
físico continua a apresentar uma taxa relativamente baixa na nossa sociedade.
Entre as razões para este facto, vamos encontrar a alegada falta de tempo e a
falta de motivação.
Tente encontrar uma actividade desportiva que se revele particularmente
atraente para si – o local de prática e o apoio dos instrutores revela-se aqui
especialmente importante. Se encontrar um local aprazível e puder contar com a
companhia de um amigo vai certamente descobrir algum tempo que na realidade
ainda lhe restava para a prática de desporto e, é sempre bom lembrar, tempo é
dinheiro, mas com a aplicação do seu tempo no desporto está a fazer um
investimento altamente rentável na sua saúde.
Procure a velha máxima da mente sã em corpo são – mens sana in corpore
sano – e verá como conseguirá ter uma vida muito mais saudável e harmoniosa.
«A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) foi admitida no passado sábado na European Federation of Psychologits Association (EFPA), integrando um "network" com o SNP.
Esta admissão é o culminar de um longo processo que permite que
Portugal tenha uma representação plena na EFPA, contando com o número
máximo de votos por país, e se torne na quarta nação com maior número de
psicólogos inscritos. Esta representação possibilita ainda que, a
partir do presente momento, os psicólogos portugueses sejam consultados e
recebam informações sobre os desenvolvimentos das actividades da EFPA e
tenham uma maior participação nas actividades desta prestigiada
associação, que tem um papel de enorme relevo na psicologia europeia.
Por último, refira-se que quatro delegados da OPP estiveram presentes
na Assembleia Geral da EFPA, que se realizou durante o passado
fim-de-semana em Estocolmo e imediatamente a seguir ao Congresso Europeu
de Psicologia.»
Neste artigo foca-se, sobretudo, a Psicologia Educacional por ser essa a temática da 35.ª edição da conferência da International School Psychology Association (ISPA). Qualquer área da Psicologia (seja Educacional, Clínica, Comunitária ou Organizacional) tem particular importância nesta altura, em que, devido à confluência político-económica, o equilíbrio da sociedade e das empresas, assim como o bem-estar das famílias Portuguesas estão a ser tão afectados.
É com a preocupação de chegar ao maior número de famílias que a Bússola D'Ideias, através do Núcleo de Bem-Estar, criou pacotes de serviços mais económicos.
«O presidente da Associação Internacional de
Psicologia Escolar, Jurg Forster, defendeu hoje a importância do papel
dos psicólogos escolares e lembrou que "não há recuperação económica sem
uma boa saúde mental".
"Em tempos de crise económica e de cortes orçamentais, a necessidade dos
serviços de psicologia escolar é questionada por muitos políticos que
ainda não perceberam que não há recuperação económica sem uma boa saúde
mental", frisou o presidente da International School Psychology
Association (ISPA).
Jurg Forster falava no Porto, na cerimónia de abertura da 35.ª edição da
conferência da International School Psychology Association (ISPA),
dedicada ao tema da psicologia escolar e da associação entre a
criatividade e as necessidades das crianças.
O presidente da ISPA salientou como "as crianças são o futuro das nossas
sociedades", pelo que desenvolver a sua criatividade é um fator chave
para a educação". E aí os "psicólogos escolares podem aí ter um papel
importante".
Também o bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) defendeu
hoje, na conferência, que a psicologia escolar é importante para o
desenvolvimento da criatividade nas crianças que assim se tornarão
adultos com melhores competências.
"Está claro na nossa sociedade que muitas das velhas soluções já não
funcionam. É crucial desenvolver formas criativas de resolver problemas,
permitindo uma maior flexibilidade, recusando modelos únicos, adaptando
a realidades diferentes, encontrando soluções locais e promovendo uma
maior participação dos cidadãos", afirmou Telmo Marinho Batista.
Segundo o bastonário, a estimulação da criatividade em crianças pelos
psicólogos torna-se relevante por permitir uma maior "diversidade na
busca de soluções".
"As competências sociais são da maior importância durante o crescimento e
definição das crianças. As competências comunicacionais, trabalho em
grupo, são algumas das áreas em que a psicologia pode contribuir e são
decisivas na sua participação enquanto cidadão adulto", explicou.
O responsável defendeu que "num mundo de recursos limitados" é preciso
"demonstrar que a intervenção psicológica faz sentido e é a melhor
escolha".»
Uma medida
óptima, no seguimento da medida introduzida pelo Ministro da Educação do
XI Governo Constitucional de Portugal, o Professor Roberto Carneiro (a
distribuição de pacotinhos de leite nas escolas). Porque, afinal, devido
à crise económico-financeira, muitas famílias perderam poder de compra e
viram-se atiradas para a pobreza e para a fome. E, com fome, ninguém
rendimento, muito menos uma criança.
«Programa
Escolar de Reforço Alimentar resulta de várias parcerias com entidades
públicas e empresas. E chegou a mais de dez mil alunos. Já foram
assinados mais protocolos.
Reforço alimentar permitiu melhorar comportamento e resultados dos alunos (fotografia por João Henrique)
Muitas das crianças sinalizadas como precisando que a
escola lhes garantisse o pequeno-almoço melhoraram o seu desempenho a
partir do momento em que a primeira refeição do dia passou a estar
assegurada. De acordo com os dados apresentados nesta quinta-feira, 50%
dos 10.186 alunos abrangidos pelo Programa Escolar de Reforço Alimentar
(PERA) viram o seu aproveitamento melhorar.
Em
37% dos casos não houve alteração em termos de aproveitamento escolar.
Em 13% das situações o desempenho não melhorou, ainda segundo o balanço
feito no Ministério da Educação e Ciência, em Lisboa.
O
impacto no comportamento dos alunos abrangidos pelo reforço alimentar
também foi medido: 42% revelaram melhorias; em 49% dos casos não houve
alteração.
Ainda assim, as taxas de aproveitamento escolar entre
os alunos abrangidos pelo PERA são mais baixas do que a média — 21%
chumbaram. O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, diz que isto
mostra como as "dificuldades sociais" têm impacto no aproveitamento.
"Mas temos que lutar contra isso", disse, e o PERA ajuda a "trabalhar
nesse sentido". Os últimos dados disponíveis no site do
ministério mostram que em 2009/2010 a média nacional de retenção e
desistência variou entre 7,6%, no ensino básico, e 18,9%, no secundário.
O
projecto PERA foi criado em Setembro, na dependência directa do
secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova
de Almeida, para responder à "excepcionalidade do momento" que, nas
suas palavras, o país atravessava. Havia mais crianças que estavam a ir
para as aulas sem tomar o pequeno-almoço, relatavam as escolas.
Com
uma duração prevista de dois anos lectivos, o objectivo essencial do
PERA é "conciliar a educação alimentar com a necessidade de suprir
carências alimentares detectadas em alunos" de escolas públicas.
Quase 400 escolas abrangidas Neste
que foi o primeiro ano de aplicação, o PERA chegou a 387 agrupamentos e
escolas não agrupadas de todo o país. E abrange actualmente mais de 10
mil crianças e jovens de diferentes níveis de ensino não superior. Mas
"muitos outros já passaram pelo PERA, tendo entretanto as suas famílias
sido sinalizadas para o Instituto da Segurança Social, que as
referenciaram para que pudessem receber apoio de instituições de
solidariedade social e/ou os apoios sociais aos quais têm direito e para
que o pequeno-almoço passasse a ser tomado em casa", segundo o
comunicado do ministério.
"O Ministério da Solidariedade e
Segurança Social apoiou o programa também através da utilização das
cantinas sociais pelos alunos durante os períodos de interrupção da
actividade lectiva."
Na base do PERA estão parcerias várias entre o
Ministério da Educação e empresas de comercialização e produção de
géneros alimentares, bancos alimentares contra a fome e instituições
particulares de solidariedade social. O PERA não tem custos para o
ministério.
Um outro protocolo assinado com a Associação Nacional
de Municípios Portugueses permitiu garantir o transporte dos produtos
para as escolas. E estas últimas, por sua vez, fizeram parcerias com as
redes locais de acção social.
No final da apresentação do balanço,
foram assinados protocolos com dez empresas do ramo alimentar (Jumbo,
Sumol+Compal, Danone, Jerónimo Martins, Lactogal, Nestlé, Sonae, Dia,
Lidl e E.Leclerc), uma empresa de transportes (Luis Simões, SA),
empresas de outros ramos que quiseram apoiar o projecto através do
pagamento de pequenos-almoços servidos nas escolas (Grupo Portucel
Soporcel, Colomer Portugal e BP) e o Lions Club.
Nuno Crato
agradeceu a colaboração dos que têm apoiado com alimentos e vão
continuar, sobretudo numa altura "em que muitas empresas portuguesas não
estão a viver os seus dias mais felizes".»
«A instabilidade
vivida nas escolas, o elevado número de alunos por turma e os próprios
critérios de correção dos exames nacionais são as razões apontadas por
especialistas para o descalabro das notas.
Ou são negativas
ou são positivas baixinhas. As notas dos exames nacionais, seja qual for
o ano ou a disciplina, dão o que pensar (ver a tabela ao lado). As
causas - apontam aqueles que estão no terreno com os alunos - são
pontuais e estruturais.
Jorge Ascenção, da Confederação Nacional
das Associações de Pais (Confap), diz que, para começar, "os critérios
de correção das provas são apertados e que muitas vezes se invalidam
respostas que estão certas por causa de pormenores".
Concretamente,
"houve um exame em que se perguntava o modo e o tempo de um determinado
verbo. Todos os alunos que responderam que estava no presente do
indicativo estavam certos mas viram as suas respostas serem cortadas,
porque deveriam ter escrito que o verbo estava no indicativo e no
presente, ou seja, ao contrário", exemplificou. Para o presidente da
Confap, "isto é ridículo e não serve para avaliar conhecimentos. Não
serve, aliás, para nada".
Adalmiro Fonseca, presidente da
Associação Nacional de Diretores dos Agrupamentos das Escolas Públicas
(ANDAEP), corrobora esta versão e conta que "os professores estão
devastados, porque são obrigados a invalidar respostas certas". Aquele
responsável avisa que "é preciso bom senso".
Falta de estabilidade As
associações avançam ainda com outras razões, como, por exemplo, a falta
de estabilidade vivida nas escolas. Jaime Carvalho e Silva, da
Associação de Professores de Matemática (APM), afirma que, "neste
momento, os professores ainda não têm os manuais de acordo com os novos
programas (para o básico), sendo que não podem preparar as suas aulas".
"Isto
para não falar do facto de haver muitos docentes que a esta altura nem
sequer sabem para onde vão lecionar e que anos vão lecionar". Para Jaime
Carvalho e Silva, "é preciso investir-se na medida do que se exige".
Já
Edviges Antunes, presidente dos Professores de Português (APP),
aproveita a oportunidade para alertar para "o elevado número de alunos
por turma" e esclarecer que "é incomportável para um professor ter 30
alunos numa sala, porque não vai dar a atenção que deveria a cada um". A
líder da APP refere ainda o dilema em que vivem os professores que "ora
cumprem o programa, ora cumprem as metas".
Paulo Guinote, autor
do blogue "A Educação do meu umbigo", recorda também que "todos os anos
há alterações, seja de programas, de metas, ou de aspetos da elaboração
dos exames". Defende o docente que "tudo isto gera instabilidade para os
docentes e para os alunos".»
Livro a não perder!!! Título: E Tudo começa no Berço! Um guia para a educação e respeito social Autor: Luís Maia Editora: Pactor ISBN: 978-989-693-011-0
«A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP), representada
pelo Bastonário Telmo Mourinho Baptista, e a American Psychological
Association (APA), representada pelo seu presidente Donald N. Bersoff,
assinaram durante esta semana um memorando de acordo.
A cerimónia de assinatura decorreu na Embaixada de Portugal em
Estocolmo, Suécia, uma vez que ambas as entidades se encontram
representadas no 13º Congresso da European Federation of Psychologists'
Associations (EFPA).
Refira-se que esta iniciativa de cooperação entre a OPP e APA, que
conta com mais de 134 mil membros, tem como objectivo, não apenas
melhorar a integração, cooperação e intercâmbio entre as organizações de
psicologia dos EUA e de Portugal, mas também procurar identificar
projectos e actividades em que ambos os países possam trabalhar em
conjunto, dar assistência ou apoio um ao outro, ou de outro modo,
cooperar para a melhoria da psicologia e do interesse público.
35ª Conferência da International School Psychology Association (ISPA)
Datas: de 17 a 20 de Julho de 2013 Local: Porto (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto) Inscrição: Abertas desde o dia 5 de Novembro de 2012. Early bird registration: inscrição e respectivo pagamento até ao dia 15 de Abril de 2013.
Nesta Conferência, serão abordadas temáticas como Problemas Éticos e Profissionais, Diversidade e Inclusão, Avaliação Psicológica, Criatividade, Aprendizagem Social e Emocional, Promoção da Saúde e da Motivação, e Orientação Vocacional.
I Encontro Luso-Espanhol: Soluções da Psicologia em Tempo de Crise
Datas: 20 e 21 de Setembro de 2013 Local: Coimbra (Auditório da Reitoria da universidade de Coimbra) Inscrição: Gratuita. Limitada aos lugares disponíveis. A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) e Conselho Geral de
Colégios Oficiais de Psicólogos de Espanha (COP) promovem I Encontro
Luso-Espanhol de Psicologia, que irá
«(...) ter a contribuição de profissionais da psicologia
que, sob o formato de mesas-redondas e conferências, irão abordar
diversos temas actuais, tais como a influência da crise nas crianças e
famílias, a competência dos psicólogos nas organizações, qual o papel e
contributos dos psicólogos em tempos de instabilidade, a psicologia em
contexto escolar, entre outros.
Em relação aos oradores, destaque para a presença do Bastonário da
OPP, Telmo Mourinho Baptista, e do Presidente do COP, Francisco
Santolaya, assim como de outros conceituados psicólogos portugueses e
espanhóis, como Eduardo Sá, Fernando Chacón, José Pais Ribeiro, Isabel
Leal, José Maria Peiró, Francisco Sánchez, Samuel Antunes, Ricardo
Vargas, Luísa Mota, Maria Paula Paixão e Josep Vilajoana i Celaya.» (OPP)
Façam já o planeamento do apoio escolar (Estudo Acompanhado, Explicações, Salas de Estudo) com a Bússola D'Ideias!!!
E venham também conhecer o NuBE - Núcleo de Bem-Estar, onde as nossas diversas valências (Psicologia, Nutrição, Terapia da Fala, Musicoterapia) permitirão optimizar os métodos de estudo dos vossos filhos! Estamos cá para ajudar!!! Contactem-nos para mais informações!!! Bússola D'Ideias Centro Pedagógico Rua da Nau Catrineta, Lote 3.06.01.F 1990-183 Lisboa (+351) 216 007 211 geral@bussoladideias.pt
A meu ver, é mais grave o facto de esta senhora agredir as crianças e não promover o seu bem-estar geral, do que o facto de ser uma creche ilegal.
A violência nunca é algo de positivo. Muito menos quando é contra crianças, pela sua particular vulnerabilidade. Que consequências poderão advir, para estas crianças, deste tipo de vivências?
«Caso tornado público há dois anos pela SIC segue agora para julgamento.
No apartamento eram acolhidas 17 crianças sem condições para tal (Enric Vives-Rubi) O Ministério Público acusou de maus tratos contra
crianças uma mulher que explorava uma creche ilegal na Av. Miguel
Bombarda, em Lisboa, um caso tornado público há dois anos e que ganhou
forte impacto mediático devido às imagens exibidas na altura numa
reportagem emitida pela SIC.
À arguida, em que cujo
apartamento era acolhidos 17 menores sem que fossem respeitadas as
regras de segurança e higiene próprias de uma creche, é imputada a
prática de dois crimes de maus tratos contra crianças. Logo que o caso
foi conhecido, o apartamento foi mandado encerrar pelos serviços da
Segurança Social.
O artigo 152.º do Código Penal estabelece que
quem infligir maus tratos físicos ou psíquicos contra menores pode ser
punido com pena de prisão entre dois e cinco anos. Este limite sobe até
aos oito anos de prisão nos casos de ofensa à integridade física grave.
Segundo
uma nota divulgada nesta sexta-feira na página de Internet da
Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, em duas situações distintas,
ocorridas em Maio e Junho de 2011, a arguida “agrediu uma das crianças
que acolhia, com dois anos de idade, com várias bofetadas no rosto e
puxou-lhe um braço”. Noutra ocasião, acrescenta a mesma nota, “desferiu
várias palmadas nas pernas e carolos na cabeça com o punho fechado numa
outra criança à sua guarda”, também com dois anos de idade.
“A
arguida aproveitou-se da ausência dos pais” e “agrediu as crianças com
indiferença pela sua especial vulnerabilidade, causando-lhes sofrimento
físico e psíquico”, concluiu o Ministério Público na investigação agora
finalizada.
Por provar ficaram as suspeitas de que a mulher
administrava aos menores “substâncias indutoras de apatia”, tendo o
Ministério Público arquivado esta parte dos autos.»
«A Psicoterapeuta infantil Asha Phillips diz que a incapacidade dos pais
modernos de contrariarem os filhos está a criar uma geração de tiranos.
No seu livro "Um Bom Pai Diz Não" explica como impor-lhes limites. Desde
o berço.
A Maria tem três anos e adora a palavra
"não". Gosta de dizê-la - com dedinho indicador a abanar e cabeça a
acompanhar o compasso - em relação à sesta da tarde, à arrumação dos
brinquedos, à hora de ir dormir, à escuridão do quarto, aos sapatos que
não são ténis, à roupa que não tem a "Hello Kitty", à comida que não é
massa, ao brinquedo que não seja plasticina, ao canal de televisão que
não seja o Panda, ao DVD que não tenha o Ruca, à rua onde não exista um
parque. A resposta pronta e negativa só muda para sim, se a mãe disser
não. Porque na boca da mamã a palavra perde a graça, limita-lhe as
vontades ilimitadas, traça fronteiras entre o possível que ela não quer e
o impossível que deseja, gere-lhe o comportamento infantil. "Impor
barreiras dói, negar algo custa, mas é uma forma de amar. É uma prenda
que se dá aos filhos e que lhes assegura uma entrada firme no mundo
real", explicou ao Expresso a psicoterapeuta infantil Asha Phillips,
autora de "Um Bom Pai Diz Não", um livro best-seller mundial lançado agora em Portugal.
Confessa a mãe da Maria que dizer não nem é uma tarefa
hercúlea, o pior mesmo é mantê-lo. Porque a seguir às três letrinhas vem
logo a tristeza chantageante da petiz, ou a insistência repetida à
exaustão que leva ao limite a paciência de qualquer adulto, ou a
vergonha que sobe vermelha ao rosto materno quando a birra se esparrama
no chão do supermercado. "Os pais modernos têm muita dificuldade em
dizer não aos filhos e essa permissividade tem consequências terríveis.
Estão a criar pequenos tiranos, que não sabem reagir a adversidades
porque nunca foram contrariados. Ou então criam crianças medricas,
absolutamente dependentes, que não sabem fazer nada sozinhas."
Já a imaginar a Maria no seu pedestal de ditadora, ou
com 40 anos e grudada que nem lapa à casa dos pais, a mãe vai procurar
socorro e soluções no livro de Asha. O título é duplamente apelativo
(ainda que faça torcer o nariz quanto à tirada lógica de que é mau pai
aquele que diz sim). Não há pai que não deseje ser perfeito e ponho as
duas mãozinhas no lume se algum tem certezas absolutas sobre os limites
que deve impor aos filhos para atingir essa plenitude parental. Pode
dormir de luz acesa? E na cama dos pais? Quantas horas de televisão?
Pode escolher o que vai comer? E o que vai vestir? O que fazer perante
uma birra? Quando se pode dizer sim? E quando se deve começar a dizer
não? E quando é tarde de mais para começar a traçar limites?
A psicoterapeuta britânica conhece cada uma das dúvidas
de cor, ri-se sempre quando se sente como o manual de instruções onde
os pais querem encontrar soluções concretas. "Não há uma resposta única
nem o meu livro é de receitas", diz com um sorriso aberto. Mas
reconhece-se nestas dúvidas. Ela também é mãe, de duas raparigas agora
já adultas, e foi a sua enorme dificuldade em contrariá-las que a levou a
procurar literatura de ajuda. Como não encontrou, escreveu ela o livro -
a primeira edição é de 1999 -, dividido por conselhos para bebés,
crianças dos dois aos cinco anos, os anos da escola primária e os
adolescentes.
"Os limites devem começar a ser colocados quando ainda
andam ao colo. É geralmente nessa altura que dizemos pela primeira vez
sim quando devíamos ter dito não". Para Asha, os erros cometidos pelos
pais nesta fase prendem-se com a ansiedade de tudo quererem fazer e
sempre bem. Ao mínimo ruído do bebé, a mãe entra no quarto. Mal abre os
olhos pega-lhe. Mal ouve um choro dá-lhe de comer. A chucha cai e a mãe
apanha. O bebé quer colo e a mãe dá. "Os pais querem o seu bebé sempre a
sorrir, fazem-lhe todas as vontades, dizem que sim a tudo e ele
consegue tudo sem esforço. Nem lhe dão a possibilidade de descobrir o
que consegue fazer sozinho".
O medo dos pais de errar é grande, mas em vez de
transmitirem segurança asfixiam o desenvolvimento da sua independência e
criam crianças infelizes e inadaptadas. "Às vezes acertamos, outra não.
É normal. Não existem pais ou mães perfeitos, não se espera que
acertemos sempre. Aliás, o encaixe perfeito - uma mãe que poupa o filho a
todo e qualquer tipo de irritação - não é benéfico. A recuperação de um
desencontro promove o desenvolvimento, e é certo que serão sempre mais
as vezes em que as necessidades do bebé são satisfeitas do que o
inverso."
Dizer não a um bebé é não ir a correr para o quarto
quando ele choraminga, é deixá-lo encontrar a chucha sozinho, é permitir
que ele descubra uma fonte de conforto alternativa à mãe ou ao pai (o
polegar, por exemplo). Dizer não é não deixar a luz do quarto acesa ou
não mergulhar a casa num silêncio sepulcral, para que o bebé cresça no
mundo real. "Nesta fase, o estabelecimento de limites surge não tanto
como uma restrição mas mais como uma porta aberta à criatividade".
No segundo capítulo do manual, Asha Phillips fala das
crianças dos dois aos cinco anos, que vivem tudo com paixão e emoções
extremadas. "É o período mais desafiante. Acham que podem fazer tudo.
Conseguem andar, falar e odeiam ser tratados como bebés", explica a
psicoterapeuta. A mãe de Maria parece que está a ler uma descrição da
filha "Eu já sou grande" (dita em bicos de pés). "Eu faço", "Eu consigo"
são as frases mais repetidas pela menina de três anos. "Por um lado
isso é maravilhoso e deve ser encorajado, mas os pais também têm de lhes
lembrar que não podem fazer tudo, de uma forma que não esmague o seu
empreendorismo, a sua paixão pela descoberta", explica Asha. Os
principais limites devem ser impostos por estes anos. Com firmeza e
consistência. De nada vale uma nega pouco convicta; a criança reverte-a
em três tempos. E um sim excepcional nunca mais voltará a ser aceite
como não.
Na vida normal de uma casa onde existe uma criança
pequena, impulsiva, activa, exigente, curiosa, o não pode muito bem
passar a ser a palavra mais usada - na casa da Maria é, garantidamente.
Mas o adulto que a diz tem de acreditar que está a fazer o que está
certo. "Se as respostas ao seu comportamento forem consistentes, a
criança adquire uma boa ideia do que é permitido e do que é proibido, do
que é seguro e perigoso."
Quando a criança rejeita relutantemente o não, Asha
Phillips recomenda o recurso ao castigo ou mesmo uma "leve palmada
ocasional" para deter uma escalada de conflito. "Não é o castigo em si
que importa, mas aquilo que o seu comportamento transmite. Não é preciso
uma marreta para partir uma noz". O excesso de autoridade tem, em
geral, o efeito oposto ao desejado. O mesmo é verdade em relação a
perder a calma, humilhar a criança e entrar numa batalha de vontades.
"Mas se alguma vez um pai perder a cabeça e disser ou fizer algo de que
se arrepende, não é o fim do mundo. Isso pode ajudar a criança a
perceber que o pai ou a mãe também são humanos." A mãe, humana, de Maria
suspira de alívio. Asha Phillips absolveu-a.
Mais importante do que dizer não, é mantê-lo
Asha Phillips explicou ao Expresso como a sociedade
actual, de mães trabalhadoras, sem nenhum tempo e com muito sentimento
de culpa, e o aumento das famílias monoparentais, estão a estimular a
permissividade parental.
Porque é tão difícil dizer não?
Ao negarmos algo, ao contrariarmos uma vontade, somos impopulares e
geramos conflitos. E fugimos disso. É uma herança do pós-guerra. As
pessoas passaram a achar que tudo o que era rígido era fascista. Nós, os
pais que viveram o flower power, tornámo-nos tão contra tudo
isso que começámos a fazer o oposto. O legado negativo dos anos 60 foi
deseducar. Essa geração educou outra que cresceu desamparada, com
demasiada liberdade.
A estrutura actual de família, com pai e mãe a trabalhar, ou mesmo monoparental, não facilita a tarefa. Há uma enorme culpa, por parte das mães que trabalham, e que sentem
que não se dedicam a tempo inteiro aos filhos. O facto de terem de os
deixar faz com que pensem não estar a cumprir bem o seu papel. E como a
maioria das mulheres ainda tem a exclusividade das tarefas domésticas
mal chega a casa...
E diz-se sim para compensar os filhos e para amainar a culpa...
Não queremos discussões porque tivemos saudades deles o dia todo,
queremos que nos achem amorosas. E por isso não dizemos "Chega de
televisão" ou "Está na hora de ir para a cama".
Quando é que é demasiado tarde para se começar a ditar limites?
Nunca. Só que quanto mais tarde mais difícil. O ideal é começar quando
os filhos são bebés. Chegar à idade escolar sem regras, por exemplo,
pode ser muito complicado. A forma como os miúdos reagem ao "não" tem um
enorme impacto na sua capacidade de se adaptarem, fazerem amigos e
aprenderem na escola. Tentar impor regras a um adolescente que nunca as
teve é quase uma impossibilidade.
Há erros práticos que se devem evitar? O maior é os pais quererem ser perfeitos. Por exemplo, com os bebés:
custa-lhes ouvi-los chorar e por isso correm até eles ao mínimo ruído.
Mas várias investigações recentes deixam-me descansada como mãe:
concluíram que é bom não acertar sempre, que o ajuste perfeito não é
benéfico. O que é bom para o desenvolvimento é existirem acertos, erros e
reparos. E isso é que é a vida real.
Todos os pais querem ser perfeitos.
Mas isso é o que interessa aos pais. Não o que interessa ao filho.
Os filhos podem tomar decisões?
Claro que deixá-los decidir, de vez em quando, dá-lhes independência,
iniciativa, criatividade. É maravilhoso ver o seu entusiasmo e energia.
Mas não é benéfico dar-lhes demasiada escolha, porque depois torna-se
uma responsabilidade deles e isso é de mais quando se é criança.
Podem, por exemplo, opinar sobre o que vão comer?
Ui. Não sei como é em Portugal, mas em Inglaterra a hora da refeição
tornou-se terrível. Imagine-se que se tem três crianças, e uma quer
comer massa, outra carne e a outra é vegetariana, e a mãe cozinha três
refeições diferentes. Isso é de loucos. Deve-se dizer: "Esta é a
refeição hoje, eu sou tua mãe e sei o que é bom para ti e por isso é
isto que vamos comer." Se não quer, paciência. Porque se a nossa criança
quer massa todos os dias e nós satisfazemos esse capricho, então quando
vamos comer a casa de amigos ou na escola eles não vão querer comer
porque não é massa. E aí a mãe tem um grande problema. É tudo uma
questão de flexibilidade e de os pais fazerem o seu filho sentir que ele
se consegue adaptar às coisas do mundo e que não é sempre o mundo que
se adapta a ele.
E dormir na cama dos pais, é proibido?
Não há um não ou um sim claro. Se a criança dorme bem, se os pais dormem
bem não há problema. Mas se isso é feito mais pelos pais do que pelas
crianças, se é o pai que precisa de conforto, então está errado.
E o que fazer durante as birras no supermercado, com as crianças que esperneiam no chão?
Mais uma vez, não há uma regra mágica. Se acha que já está há demasiado tempo no shopping
e que a criança está cansada, então a culpa é dos pais e é altura de ir
para casa. Se, por outro lado, passam o tempo todo "eu quero, eu
quero", é muito importante não ceder. E se a criança se atira para o
chão, que isso não afecte os pais porque é quando nos preocupamos com o
que os outros comentam que se tomam decisões erradas. Podemos deixá-la
espernear por 5 ou 10 minutos, esperar que acabe e continuar o que se
estava a fazer. Regras dão-lhes estrutura, um objectivo e, depois, o
sentimento de vitória quando o alcançarem.
Mas como podem os pais saber quando devem dizer sim ou dizer não?
É muito difícil. O livro não encerra nenhuma fórmula secreta, porque ela
simplesmente não existe. É importante não dizer sempre não, porque
seria ridículo, temos que escolher os nossos 'nãos' com muito cuidado,
os verdadeiramente importantes. E quando os escolhemos temos que os
segurar, não ceder. O que realmente não é bom para as crianças é dizer
não, não, não e depois dizer sim. Porque assim nunca saberão quais são
os limites. E uma criança usará os nossos argumentos, a nossa linguagem,
e vai lembrar-se sempre daquela vez em que dissemos sim - "Se naquele
dia deixaste porque não deixas hoje?" São muito lógicos e encostam-nos a
um canto com os seus argumentos.
Há alguma altura do dia mais propícia para a transmissão dessas regras? Se está a tentar impor limites comece nas alturas fáceis do dia -
nunca de manhã quando se corre para a escola e para o emprego.
Asha Phillips, psicoterapeuta infantil, 55 anos,
escreveu a primeira versão do livro em 1999. Um caso perdido na arte de
dizer não às duas filhas, procurou livros que a ajudassem. Como não
encontrou, escreveu ela a obra, com base nos casos que tratou na
Tavistock Clinic. "Acredite se quiser: ainda hoje o consulto". Viveu os
anos 60 em paris - encontra aí a fonte da sua permissividade - e parte
da vida na índia.
Actualmente, exerce a nível particular, atendendo
crianças, famílias e casais, em Londres. Na semana passada esteve em
Lisboa para apresentar a versão portuguesa de "Saying No". A tradução
"Um Bom Pai Diz Não" (Editora Lua de Papel) não a satisfaz plenamente -
"encerra um certo juízo de valor" -, mas adora o acrescento no canto
inferior direito da capa: "impor limites é uma forma de amar".
Texto publicado na edição do Expresso de 25 de Julho de 2009»