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quinta-feira, 4 de julho de 2013

JORNAL DE NOTÍCIAS: «Uma Barbie inspirada na mulher real»

Ponto de vista interessante, que aborda a influência da boneca Barbie (Mattel) na imagem corporal de crianças e adolescentes (sexo feminino, essencialmente).


Uma Barbie inspirada na mulher real

foto DR
Uma Barbie inspirada na mulher real

 
Um designer norte-americano criou um protótipo em 3D de uma Barbie muito menos magra e mais curvilínea que vai "ao encontro ao corpo médio de uma mulher". 

Nickolay Lamm, do MyDeals.com, criou o protótipo de uma boneca com proporções mais reais do que as da Barbie, atualmente muito criticada por ter um tipo de corpo dificilmente alcançável. 

O protótipo de Lamm apresenta uma boneca mais baixa do que a atual, com pernas menos compridas, mais curvilínea e menos magra.
 
foto DR
Uma Barbie inspirada na mulher real

 
O criativo usou as medidas padrão dos Centers for Disease Control and Prevention, de uma rapariga de dezanove anos norte-americana, para criar um modelo em 3D que se assemelhasse à boneca mais vendida em todo mundo.

Nickolas fotografou depois o modelo 3D junto da Barbie que é usualmente vendida, trabalhando-o depois, digitalmente, para que se assemelhasse a uma boneca real. 

"Se criticamos a magreza das modelos, devíamos pelo menos estar abertos à possibilidade de que a Barbie pode também influenciar negativamente as crianças", explicou o criativo por e-mail à publicação norte-americana "The Huffington Post".

"Em todo o caso, uma Barbie proporcional à realidade também é igualmente atrativa", acrescentou Nickolay Lamm.

Lamm lançou várias questões à Mattel, empresa que cria a boneca Barbie. "Pode a Barbie, da forma como é produzida, influenciar negativamente o comportamento das raparigas? Se a Barbie fica bem no corpo médio de uma mulher norte-americana, o que está a impedir a Mattel de começar a produzir uma?".

segunda-feira, 1 de julho de 2013

PÚBLICO: «Quase um terço dos novos casos de infecção por VIH/sida são diagnosticados no último estádio da doença»

Seria importante, no âmbito da redacção deste tipo de artigos, haver uma consciencialização, por parte dos jornalistas, do facto de a forma como veiculamos a informação influenciar a forma como a maioria do público reage a este tipo de populações. Quiçá, inclusivamente, a redacção deste tipo de artigos passar a ser efectuada em equipa com um profissional da Saúde, como um Psicólogo, por exemplo.

«If it bleads, it leads», tudo bem, é importante vender jornais. Mas, neste tipo de situações, importa ter noção da responsabilidade que se tem ao veicular informações e notícias, e ter noção das consequências das mesmas para, por exemplo, neste caso, as populações homossexual e bissexual portuguesas, que já sofrem suficiente discriminação. 


Se se analisar a tabela da página 24 do Relatório de 2012 (link no fim do comentário), verificar-se-á que a disseminação do HIV nas populações heterossexual e toxicodependente continua a ser superior à disseminação do HIV nas populações homossexual e bissexual. Verifica-se ainda que, ao contrário do que o texto da notícia leva a crer, os casos de disseminação do HIV nas populações homossesual e bissexual quando comparamos os dados referentes a 2005 e 2012.



Este tipo de notícias não deveria servir para espalhar o medo e a discriminação. 

Antes, deveria servir para consciencializar para a necessidade de adoptar comportamentos sexuais mais seguros (o recurso ao preservativo é essencial), para a necessidade de criar formas mais eficazes de espalhar informação de cariz preventivo, e para a necessidade de nos questionarmos porque é que as formas de veicular a informação não estão a surtir o efeito desejado.

Link para o Relatório 2012 do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa)
Link para o Relatório 2011 do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa)



Quase um terço dos novos casos de infecção por VIH/sida são diagnosticados no último estádio da doença

por Catarina Gomes

«Casos de transmissão heterossexual e entre toxicodependentes estão a descer, ao contrário dos casos entre a população homossexual e bissexual, em que são feitos diagnósticos em idades cada vez mais jovens. 



Quase um terço de novos casos de infecção por VIH/sida em Portugal estão a ser diagnosticados no estádio mais avançado da doença, quando já têm sida, revela o relatório que faz o retrato nacional, que é apresentado nesta sexta-feira em Lisboa. 


Em 2012 foram notificados em Portugal 1551 novos casos de infecção, mas só 776 são de casos diagnosticados no próprio ano. Os restantes foram notificações feitas com atraso e que dizem respeito a detecções de anos anteriores.

Um dos dados considerados mais relevantes é o facto de quase um terço (31,8%) dos infectados terem sido detectados já “no último estádio da doença, o mais avançado”. Isso signfica que são pessoas que já têm pelo menos uma doença associada que é indiciadora de um sistema imunitário deprimido, explicou ao PÚBLICO a coordenadora do relatório, que retrata a situação até ao final do ano passado, Helena Cortes Martins, investigadora do Núcleo de Vigilância Laboratorial de Doenças Infecciosas do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa).

Mas a maioria dos casos notificados encontravam-se assintomáticos à data de diagnóstico (50,4%) e 17,8% foram classificados como portadores sintomáticos mas ainda não com sida.

Nos casos de sida, a tuberculose é a patologia mais frequente, mas tem havido um aumento do número relativo de casos que referem pneumonia.

Contrariamente a outros países europeus, em Portugal não se observou um decréscimo acentuado no número de casos de sida após a introdução, no final dos anos 1990, da terapia anti-retroviral combinada, verificando-se uma estabilização até 2002, ano a partir do qual se iniciou então uma tendência decrescente. Hoje em dia, “os casos de sida continuam, lentamente, a diminuir”, assinala a investigadora.
Helena Cortes Martins refere que a proporção alta, verificada no ano passado, de pessoas que chegam aos serviços de saúde já na fase final da doença “é um sinal de alerta”, uma vez que incluem casos de diagnóstico tardio, o que aponta para a necessidade de aumentar “as políticas de diagnóstico”, mas também casos de pessoas que estão a ser seguidas e medicadas e que, mesmo assim, evoluíram para o estádio sida. A idade média dos diagnóstico de sida é de 37,6 anos.

A investigadora diz que estes dados devem ser o ponto de partida, o importante agora é perceber a sua explicação. No caso dos diagnósticos tardios refere que tendem a ser mais frequentes em heterossexuais, porque têm menos consciência dos riscos que correram e a fazer menos os testes, em contraste com a população bissexual e homossexual, que costuma fazer mais vezes os teste VIH, até porque isso, muitas vezes, condiciona a escolha do parceiro, uma tendência detectada em vários estudos europeus, refere.

Mais jovens homossexuais
Mas os dados deste relatório denotam, ainda assim, que é na população de homens que têm relações sexuais com homens que a infecção por VIH está a aumentar: a transmissão homo/bissexual corresponde a 34,1% dos casos diagnosticados em homens. Uma análise feita no relatório, de 2005 e 2011, atesta uma redução de 79,2% nos casos relacionados com o consumo de drogas e de 21,3% nos casos associados à transmissão heterossexal; já os casos de transmissão homo/bissexual aumentaram 33,1% no mesmo período.


Embora esta costume ser uma população mais informada em relação aos riscos de transmissão, os dados mostram que tem vindo a descer a idade do diagnóstico. “É gente nova com diagnóstico em idades mais jovens. A informação pode não estar a surtir efeito, são muitos infectados e jovens”, alerta.

O relatório sublinha ainda que cerca de um quarto dos novos casos de infecção por VIH são de estrangeiros (28,4%), uma proporção que tem vindo a aumentar, à semelhança do que acontece com outros países europeus, em que a proporção de infectados pode chegar a ser metade do total, ressalva a investigadora. “Portugal está dentro da média europeia.”

Em primeiro lugar nesta lista surgem pessoas originários de países da África subsariana, seguidos de indivíduos da América Latina. Helena Cortes Martins nota que estes dados devem “servir de motor para se investigar o porquê”: há questões culturais que impedem a passagem de mensagens de prevenção? Há eventuais barreiras na chegada das pessoas aos serviços de saúde?, questiona.

No ano passado morreram 139 pessoas por infecção por VIH/sida.»