Pretende-se, com a criação desta página, divulgar a intervenção psicológica ao nível da Prevenção, da Terapêutica e da Comunidade, junto de crianças e adolescentes, adultos e seniores, nos contextos clínico, educacional, forense, organizacional e formativo.
Se, por um lado, o Ministério da Educação e da Ciência se tem dedicado a cortar nas horas de funcionamento dos Psicólogos nas Escolas (ver artigo anterior deste blog), por outro lado, a Direcção-Geral de Saúde está a criar parcerias com outras Entidades para fazerem prevenção nas Escolas ao nível do Suicídio. Prevenção essa que poderia perfeitamente ser realizada pelos Psicólogos das Escolas (desde que tivessem horários viáveis de trabalho), em articulação com a DGS. No entanto, é importante que se faça este tipo de prevenção, desde que se paute pela qualidade e de forma organizada. Público
Restrição ao consumo do álcool faz parte das medidas de prevenção do suicídio ADRIANO MIRANDA
«Haverá 30 mil tentativas de suicídio por ano, dois terços das quais perpetrados por jovens.
A taxa de suicídio entre os adolescentes portugueses não é alarmante, mas os comportamentos autolesivos, como a intoxicação medicamentosa, sim. E porque, atingidas idades mais avançadas, estes tendem a aumentar de gravidade e a degenerar em actos suicidas, a Direcção-Geral de Saúde (DGS) vai replicar no ano lectivo 2013/14 um projecto de prevenção em várias escolas do país, já ao abrigo do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio que é terça-feira apresentado em Castelo Branco.
Trata-se de alargar o projecto + Contigo, que arrancou no ano lectivo de 2009/10, nalgumas escolas de Coimbra, resultado de uma parceria entre a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, estabelecida precisamente na sequência do suicídio de uma aluna de 13 anos. No ano lectivo 2011/12, o + Contigo já chegava a 741 estudantes do 3.º ciclo do ensino básico que contaram com a ajuda de 66 profissionais de saúde, 228 professores e assistentes e 153 encarregados de educação, aos quais coube trabalhar com os alunos a capacidade de resolução de problemas, o reforço da auto-estima, o combate ao estigma em saúde mental. "No final, registámos um aumento do bem-estar entre os jovens e uma melhoria dos casos de depressão", adiantou ao PÚBLICO José Carlos Silva, professor na Escola de Enfermagem de Coimbra.
Ainda não há indicações precisas quanto ao número de escolas que irão aderir, até porque algumas estão ainda a candidatar-se. Será preciso assegurar a participação dos profissionais de saúde em cada uma das regiões ("este projecto só funciona em rede, nomeadamente com os centros de saúde e os profissionais de saúde mental").
José Carlos Silva conta que já aconteceu vários alunos acabarem por ser encaminhados para assistência médica nos cuidados de saúde primários ou nos serviços de saúde mental que se aliaram ao projecto. Sem números oficiais quanto à dimensão do suicídio entre os jovens, José Carlos Silva lembra os dados da Organização Mundial de Saúde, segundo os quais por cada suicídio consumado ocorrem cerca de 30 tentativas. Em Portugal, e considerando que os dados oficiais apontam para pouco mais de mil suicídios por ano, haverá acima de 30.000 tentativas por ano. Destas, "cerca de dois terços são perpetradas por jovens, maioritariamente do sexo feminino", segundo o também ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidologia e relator do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio.
Suicídios subnotificados Apesar de só cerca de 25% destes jovens recorrerem aos serviços de saúde, após a ocorrência dos comportamentos autolesivos, José Carlos Silva lembra que o mais comum entre os jovens é a "intoxicação medicamentosa e por venenos". E que "se os problemas que estão por detrás dos comportamentos não forem resolvidos nesta faixa etária, a probabilidade de estes jovens virem a cometer suicídio é mais elevada do que na população em geral".
As mais recentes medidas de restrição ao consumo do álcool, que proibiram a venda de bebidas espirituosas a menores de 18 anos, mas deixaram de fora da interdição o vinho e a cerveja, também se inscrevem nesta lógica de prevenção. Mas o coordenador do Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, Álvaro de Carvalho, gostava que o Governo tivesse ido mais longe. "Esta legislação terá tido o mérito de contribuir para lançar mais uma vez o alarme, mas não me parece que dê garantias de resultados práticos", lamenta. A proposta inicial do Governo previa, entre outras coisas, a proibição do consumo e venda de qualquer bebida alcoólica antes dos 18 anos e o aumento dos respectivos preços.
Para esta e outras campanhas que até ao final do ano serão desenvolvidas, nomeadamente junto dos profissionais de saúde, Álvaro de Carvalho diz ter já garantido um financiamento de 300 mil euros. A importância da formação mede-se por um acontecimento recente: em Famalicão, uma jovem de 23 anos enforcou-se no final de Junho, horas depois de ter obtido alta do hospital onde dera entrada depois de uma primeira tentativa de suicídio.
Porque todos os especialistas concordam que o suicídio em Portugal está muito acima dos registos oficiais (1012 suicídios em 2011, e 1098 em 2010, segundo o Instituto Nacional de Estatística), o plano de prevenção do suicídio prevê também para este ano o funcionamento pleno das certidões de óbito electrónicas. A ideia é conseguir que menos suicídios surjam mascarados de mortes por causa indeterminada, seja por causa do estigma, de questões religiosas ou simplesmente para prevenir problemas com seguros.
Por estes dias, o sistema de Informação dos Certificados de Óbito, mediante o qual a DGS pretende pôr cobro à falta de rigor na determinação das causas de óbito em Portugal, encontra-se ainda em fase de experimentação no Norte e Centro do país e no Funchal. Mas a ideia é que "até ao final do ano abranja todo o território nacional, Açores incluídos", adianta Álvaro de Carvalho.
Mas de pouco adiantará o país dotar-se de um sistema electrónico de registo dos óbitos se este não for acompanhado da formação dos profissionais responsáveis pela introdução dos dados no sistema, diz. "A DGS tem vindo a garantir essa formação de médicos, forças de segurança e funcionários do Ministério da Justiça..."»
«O Relatório de Primavera 2013 apresenta alguns indicadores
preocupantes sobre os efeitos da crise, como o aumento de tentativas de
suicídio e de casos de depressão e dificuldades de acesso a cuidados de
saúde.
Casos de depressão e de tentativa de suicídio aumentaram (por Nuno Ferreira Santo) No relatório do ano passado, os especialistas do
Observatório Português do Sistema de Saúde (OPSS) alertavam para um
“país em sofrimento”, com indícios de racionamento que estaria a
dificultar o acesso dos portugueses a cuidados de saúde. No deste ano, o
documento estratégico desmascara as “duas faces da saúde”, confrontando
a “versão oficial” com dados e estudos disponíveis sobre a “experiência
real das pessoas”. Um dos estudos mostra, por exemplo, que, entre uma
amostra de idosos com mais de 65 anos, residentes em Lisboa, cerca de
30% deixaram de utilizar alguns recursos de saúde por não poderem
comportar os custos. Outro fala num aumento de 47% de tentativas de
suicídio e de 30% dos casos de depressão registado numa unidade local de
saúde.
Pela primeira vez, o
Relatório da Primavera (que já vai na 14.ª edição) não faz a tradicional
análise dos indicadores oficiais sobre o desempenho do SNS, com
análises sobre os tempos de espera e outros dados. “Face à contínua
lacuna de conhecimento, causa directa da inexistência de uma
monitorização por parte do Ministério da Saúde, e perante o nível de
análise dos dados dos serviços de saúde (cujos resultados não parecem
indicar qualquer efeito da crise na saúde), o OPSS optou por recorrer a
outros níveis de evidência”, avisam.
Além de estudos
internacionais e outros trabalhos de investigação, os especialistas do
OPSS fizeram também uma recolha de dados da sua responsabilidade. Há,
por exemplo, os resultados de um questionário realizado em 2013, pela
Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), abrangendo uma amostra de 1252
idosos (com mais de 65 anos) da Área Metropolitana de Lisboa, que
revelam que “cerca de 30% responderam que já deixaram de utilizar alguns
recursos de saúde por não poderem comportar os custos, sendo que,
destes, cerca de 60% referiram a consulta particular, 48% a medicina
dentária, 47% referiram a aquisição de óculos e aparelhos auditivos e
25% serviços públicos de saúde de primeira necessidade”.
No capítulo da “Saúde Mental e Suicídio, Evidência Nacional”,
constata-se que, “em Portugal, não são conhecidos estudos que avaliem o
impacto da crise na saúde mental das pessoas”. Porém, baseados nos
registos dos médicos de família de uma unidade de saúde local sobre os
casos de depressão e de tentativas de suicídio, os especialistas
apresentam alguma evidência sobre a evolução deste indicador. “Na
Unidade Local de Saúde do Alto Minho verificou-se, de 2011 para 2012, um
acréscimo no diagnóstico de depressão de 30% para os homens e 31% para
as mulheres. Já relativamente aos registos de tentativas de suicídio, e
no mesmo período, verificou-se um acréscimo de 35% para os homens e 47%
para as mulheres”.
O Relatório de Primavera 2013 tem uma capa com três
pessoas sentadas na rua, junto a uma parede pintada com muitos pontos de
interrogação, e tem um título: Duas Faces da Saúde. A explicação dos
autores é simples: de um lado, temos um mundo “oficial, dos poderes,
onde, de acordo com a leitura formal, as coisas vão mais ou menos bem,
previsivelmente melhorando a curto prazo”. Esse será, segundo o OPSS,
uma das actuais faces da saúde em Portugal. Mas há outra. Apresenta-se
assim o mundo “da experiência real das pessoas, em que temos
empobrecimento, desemprego crescente, diminuição dos factores de coesão
social, e também uma considerável descrença em relação ao presente e
também ao futuro, com todas as consequências previsíveis sobre a saúde”.
Tal como no ano passado, os especialistas do OPSS continuam reféns de
um país em crise e das consequências que isso tem ou pode ter na saúde
dos portugueses.
O que pretendem oferecer com o Relatório de
Primavera é algo que consideram essencial para o futuro do SNS e que,
sublinham, o Governo ainda não conseguiu dar a conhecer: um diagnóstico
oficial, “a partir do qual seja possível organizar no terreno uma
resposta adequada aos efeitos da crise na saúde”.
No diagnóstico, o
OPSS constata que os cortes orçamentais são superiores ao exigido pela
troika e — tal como em anos anteriores — insiste na crítica sobre a
“ausência de estratégia de resposta às consequências da crise na saúde
da população”. “Previa-se uma redução da despesa total em saúde de 710
milhões de euros, superior aos 550 milhões necessários para implementar
as medidas da troika. Porquê e para quê? Qual o impacto nas instituições
e níveis de prestação de cuidados de saúde, nos doentes/cidadãos e nos
profissionais?”, questionam.
O documento dá ainda destaque ao
aumento das taxas moderadoras, concluindo que os valores referidos no
Memorando de Entendimento enquanto fonte de financiamento “não se
constituem como tal e o seu aumento poderá ser uma verdadeira barreira
de acesso aos cuidados de saúde”. Há ainda capítulos dedicados às áreas
dos cuidados de saúde primários e dos cuidados paliativos. Os
especialistas defendem que não foi cumprida a intenção de melhorar a
rede e investir nos modelos de Unidade de Saúde Familiar e sobre a
oferta aquém das necessidades nos cuidados paliativos, apresentam dados:
“Existe em Portugal uma equipa de cuidados paliativos domiciliários por
cada 750.000 a 1.170.000 habitantes, sendo que as recomendações da EAPC
[European Association for Palliative Care] (2009) são de uma equipa por
100.000 habitantes”.
Pontos positivos Na
análise da governação durante o último ano — com registo da diminuição
do poder de compra, aumento do desemprego, da recessão, da dívida
externa, aumento da depressão, da taxa de tentativa de suicídio, de
mortes prematuras e de crimes contra terceiros e património — também há
aspectos positivos a realçar. “À luz do programa de ajustamento, foi
possível adoptar medidas que contribuíram para influenciar
favoravelmente uma gestão mais eficiente dos recursos disponíveis para a
área da saúde”, diz o relatório. E nota que, “na política do
medicamento, verifica-se que a efectiva baixa de preços que se tem
observado contribuiu para uma ligeira diminuição dos encargos dos
utentes com medicamentos”. O relatório avalia de forma positiva “o
alargamento dos programas de vigilância da saúde e das doenças crónicas,
os rastreios oncológicos, e o alargamento e melhoria dos cuidados
domiciliários” e ainda a continuidade de produção de Normas de
Orientação Clínica. O relatório é apresentado nesta terça-feira na
Fundação Gulbenkian numa sessão que vai contar com o ministro Paulo
Macedo.»
Ou seja, o ser humano necessita, antes de mais, de prover as suas necessidades mais básicas - fisiológicas (por exemplo, dormir, respirar, alimentar-se, etc.) e de segurança (por exemplo, segurança ao nível do emprego, dos recursos, da família, da saúde, etc). Quando estes tipos de necessidades estão mantidos, o ser humano passa a necessitar de se relacionar amorosamente e de promover relacionamentos sociais (amor e relacionamento), a ter necessidades de estima, de realização pessoal (desenvolver actividades criativas, tal como ir a concertos musicais ou outros eventos culturais, por exemplo). Com a crise económica que tem assolado o nosso país, as necessidades de segurança (e mesmo as fisiológicas) têm vindo a ser fortemente abaladas. Quantas famílias não têm o que comer, não têm qualquer segurança ao nível da manutenção do emprego (claro está, os que não o perderam ainda), estão em vias de não poderem prover as necessidades das suas famílias, se encontram em risco de perderem os tectos e as paredes que os protegem.
E quantos não entraram em desequilíbrio e não conseguem manter equilibradas as suas necessidades de segurança ao nível da saúde, seja por não terem forma de pagar a medicação e as consultas de que necessitam, seja por terem entrado em situação de desequilíbrio emocional (estados depressivos e situações exacerbadas de stress) em virtude de não verem saídas viáveis da situação de crise económica em que se encontram, de terem perdido a esperança de que a sua situação vá melhorar. E assim surgem os suicídios e as tentativas de suicídio, associados de forma indelével aos estados depressivos.
Ter consultas de Psicologia é uma mais-valia, um investimento nos dias de hoje, pois permite limitar estas situações, assim como as consequências da crise na saúde. E é para isso que existe o NuBE - Núcleo de Bem-Estar! Cuide da sua Saúde! Fale connosco! Estamos cá para o ajudar!
NuBE - Núcleo de Bem-Estar
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