Pretende-se, com a criação desta página, divulgar a intervenção psicológica ao nível da Prevenção, da Terapêutica e da Comunidade, junto de crianças e adolescentes, adultos e seniores, nos contextos clínico, educacional, forense, organizacional e formativo.
Este vídeo é uma campanha de prevenção realizada pela Redcastle Productions, que mostra o que pode acontecer a uma criança que fique fechada num carro, nem que seja por 30 minutos.
Livro a não perder!!! Título: E Tudo começa no Berço! Um guia para a educação e respeito social Autor: Luís Maia Editora: Pactor ISBN: 978-989-693-011-0
«A Psicoterapeuta infantil Asha Phillips diz que a incapacidade dos pais
modernos de contrariarem os filhos está a criar uma geração de tiranos.
No seu livro "Um Bom Pai Diz Não" explica como impor-lhes limites. Desde
o berço.
A Maria tem três anos e adora a palavra
"não". Gosta de dizê-la - com dedinho indicador a abanar e cabeça a
acompanhar o compasso - em relação à sesta da tarde, à arrumação dos
brinquedos, à hora de ir dormir, à escuridão do quarto, aos sapatos que
não são ténis, à roupa que não tem a "Hello Kitty", à comida que não é
massa, ao brinquedo que não seja plasticina, ao canal de televisão que
não seja o Panda, ao DVD que não tenha o Ruca, à rua onde não exista um
parque. A resposta pronta e negativa só muda para sim, se a mãe disser
não. Porque na boca da mamã a palavra perde a graça, limita-lhe as
vontades ilimitadas, traça fronteiras entre o possível que ela não quer e
o impossível que deseja, gere-lhe o comportamento infantil. "Impor
barreiras dói, negar algo custa, mas é uma forma de amar. É uma prenda
que se dá aos filhos e que lhes assegura uma entrada firme no mundo
real", explicou ao Expresso a psicoterapeuta infantil Asha Phillips,
autora de "Um Bom Pai Diz Não", um livro best-seller mundial lançado agora em Portugal.
Confessa a mãe da Maria que dizer não nem é uma tarefa
hercúlea, o pior mesmo é mantê-lo. Porque a seguir às três letrinhas vem
logo a tristeza chantageante da petiz, ou a insistência repetida à
exaustão que leva ao limite a paciência de qualquer adulto, ou a
vergonha que sobe vermelha ao rosto materno quando a birra se esparrama
no chão do supermercado. "Os pais modernos têm muita dificuldade em
dizer não aos filhos e essa permissividade tem consequências terríveis.
Estão a criar pequenos tiranos, que não sabem reagir a adversidades
porque nunca foram contrariados. Ou então criam crianças medricas,
absolutamente dependentes, que não sabem fazer nada sozinhas."
Já a imaginar a Maria no seu pedestal de ditadora, ou
com 40 anos e grudada que nem lapa à casa dos pais, a mãe vai procurar
socorro e soluções no livro de Asha. O título é duplamente apelativo
(ainda que faça torcer o nariz quanto à tirada lógica de que é mau pai
aquele que diz sim). Não há pai que não deseje ser perfeito e ponho as
duas mãozinhas no lume se algum tem certezas absolutas sobre os limites
que deve impor aos filhos para atingir essa plenitude parental. Pode
dormir de luz acesa? E na cama dos pais? Quantas horas de televisão?
Pode escolher o que vai comer? E o que vai vestir? O que fazer perante
uma birra? Quando se pode dizer sim? E quando se deve começar a dizer
não? E quando é tarde de mais para começar a traçar limites?
A psicoterapeuta britânica conhece cada uma das dúvidas
de cor, ri-se sempre quando se sente como o manual de instruções onde
os pais querem encontrar soluções concretas. "Não há uma resposta única
nem o meu livro é de receitas", diz com um sorriso aberto. Mas
reconhece-se nestas dúvidas. Ela também é mãe, de duas raparigas agora
já adultas, e foi a sua enorme dificuldade em contrariá-las que a levou a
procurar literatura de ajuda. Como não encontrou, escreveu ela o livro -
a primeira edição é de 1999 -, dividido por conselhos para bebés,
crianças dos dois aos cinco anos, os anos da escola primária e os
adolescentes.
"Os limites devem começar a ser colocados quando ainda
andam ao colo. É geralmente nessa altura que dizemos pela primeira vez
sim quando devíamos ter dito não". Para Asha, os erros cometidos pelos
pais nesta fase prendem-se com a ansiedade de tudo quererem fazer e
sempre bem. Ao mínimo ruído do bebé, a mãe entra no quarto. Mal abre os
olhos pega-lhe. Mal ouve um choro dá-lhe de comer. A chucha cai e a mãe
apanha. O bebé quer colo e a mãe dá. "Os pais querem o seu bebé sempre a
sorrir, fazem-lhe todas as vontades, dizem que sim a tudo e ele
consegue tudo sem esforço. Nem lhe dão a possibilidade de descobrir o
que consegue fazer sozinho".
O medo dos pais de errar é grande, mas em vez de
transmitirem segurança asfixiam o desenvolvimento da sua independência e
criam crianças infelizes e inadaptadas. "Às vezes acertamos, outra não.
É normal. Não existem pais ou mães perfeitos, não se espera que
acertemos sempre. Aliás, o encaixe perfeito - uma mãe que poupa o filho a
todo e qualquer tipo de irritação - não é benéfico. A recuperação de um
desencontro promove o desenvolvimento, e é certo que serão sempre mais
as vezes em que as necessidades do bebé são satisfeitas do que o
inverso."
Dizer não a um bebé é não ir a correr para o quarto
quando ele choraminga, é deixá-lo encontrar a chucha sozinho, é permitir
que ele descubra uma fonte de conforto alternativa à mãe ou ao pai (o
polegar, por exemplo). Dizer não é não deixar a luz do quarto acesa ou
não mergulhar a casa num silêncio sepulcral, para que o bebé cresça no
mundo real. "Nesta fase, o estabelecimento de limites surge não tanto
como uma restrição mas mais como uma porta aberta à criatividade".
No segundo capítulo do manual, Asha Phillips fala das
crianças dos dois aos cinco anos, que vivem tudo com paixão e emoções
extremadas. "É o período mais desafiante. Acham que podem fazer tudo.
Conseguem andar, falar e odeiam ser tratados como bebés", explica a
psicoterapeuta. A mãe de Maria parece que está a ler uma descrição da
filha "Eu já sou grande" (dita em bicos de pés). "Eu faço", "Eu consigo"
são as frases mais repetidas pela menina de três anos. "Por um lado
isso é maravilhoso e deve ser encorajado, mas os pais também têm de lhes
lembrar que não podem fazer tudo, de uma forma que não esmague o seu
empreendorismo, a sua paixão pela descoberta", explica Asha. Os
principais limites devem ser impostos por estes anos. Com firmeza e
consistência. De nada vale uma nega pouco convicta; a criança reverte-a
em três tempos. E um sim excepcional nunca mais voltará a ser aceite
como não.
Na vida normal de uma casa onde existe uma criança
pequena, impulsiva, activa, exigente, curiosa, o não pode muito bem
passar a ser a palavra mais usada - na casa da Maria é, garantidamente.
Mas o adulto que a diz tem de acreditar que está a fazer o que está
certo. "Se as respostas ao seu comportamento forem consistentes, a
criança adquire uma boa ideia do que é permitido e do que é proibido, do
que é seguro e perigoso."
Quando a criança rejeita relutantemente o não, Asha
Phillips recomenda o recurso ao castigo ou mesmo uma "leve palmada
ocasional" para deter uma escalada de conflito. "Não é o castigo em si
que importa, mas aquilo que o seu comportamento transmite. Não é preciso
uma marreta para partir uma noz". O excesso de autoridade tem, em
geral, o efeito oposto ao desejado. O mesmo é verdade em relação a
perder a calma, humilhar a criança e entrar numa batalha de vontades.
"Mas se alguma vez um pai perder a cabeça e disser ou fizer algo de que
se arrepende, não é o fim do mundo. Isso pode ajudar a criança a
perceber que o pai ou a mãe também são humanos." A mãe, humana, de Maria
suspira de alívio. Asha Phillips absolveu-a.
Mais importante do que dizer não, é mantê-lo
Asha Phillips explicou ao Expresso como a sociedade
actual, de mães trabalhadoras, sem nenhum tempo e com muito sentimento
de culpa, e o aumento das famílias monoparentais, estão a estimular a
permissividade parental.
Porque é tão difícil dizer não?
Ao negarmos algo, ao contrariarmos uma vontade, somos impopulares e
geramos conflitos. E fugimos disso. É uma herança do pós-guerra. As
pessoas passaram a achar que tudo o que era rígido era fascista. Nós, os
pais que viveram o flower power, tornámo-nos tão contra tudo
isso que começámos a fazer o oposto. O legado negativo dos anos 60 foi
deseducar. Essa geração educou outra que cresceu desamparada, com
demasiada liberdade.
A estrutura actual de família, com pai e mãe a trabalhar, ou mesmo monoparental, não facilita a tarefa. Há uma enorme culpa, por parte das mães que trabalham, e que sentem
que não se dedicam a tempo inteiro aos filhos. O facto de terem de os
deixar faz com que pensem não estar a cumprir bem o seu papel. E como a
maioria das mulheres ainda tem a exclusividade das tarefas domésticas
mal chega a casa...
E diz-se sim para compensar os filhos e para amainar a culpa...
Não queremos discussões porque tivemos saudades deles o dia todo,
queremos que nos achem amorosas. E por isso não dizemos "Chega de
televisão" ou "Está na hora de ir para a cama".
Quando é que é demasiado tarde para se começar a ditar limites?
Nunca. Só que quanto mais tarde mais difícil. O ideal é começar quando
os filhos são bebés. Chegar à idade escolar sem regras, por exemplo,
pode ser muito complicado. A forma como os miúdos reagem ao "não" tem um
enorme impacto na sua capacidade de se adaptarem, fazerem amigos e
aprenderem na escola. Tentar impor regras a um adolescente que nunca as
teve é quase uma impossibilidade.
Há erros práticos que se devem evitar? O maior é os pais quererem ser perfeitos. Por exemplo, com os bebés:
custa-lhes ouvi-los chorar e por isso correm até eles ao mínimo ruído.
Mas várias investigações recentes deixam-me descansada como mãe:
concluíram que é bom não acertar sempre, que o ajuste perfeito não é
benéfico. O que é bom para o desenvolvimento é existirem acertos, erros e
reparos. E isso é que é a vida real.
Todos os pais querem ser perfeitos.
Mas isso é o que interessa aos pais. Não o que interessa ao filho.
Os filhos podem tomar decisões?
Claro que deixá-los decidir, de vez em quando, dá-lhes independência,
iniciativa, criatividade. É maravilhoso ver o seu entusiasmo e energia.
Mas não é benéfico dar-lhes demasiada escolha, porque depois torna-se
uma responsabilidade deles e isso é de mais quando se é criança.
Podem, por exemplo, opinar sobre o que vão comer?
Ui. Não sei como é em Portugal, mas em Inglaterra a hora da refeição
tornou-se terrível. Imagine-se que se tem três crianças, e uma quer
comer massa, outra carne e a outra é vegetariana, e a mãe cozinha três
refeições diferentes. Isso é de loucos. Deve-se dizer: "Esta é a
refeição hoje, eu sou tua mãe e sei o que é bom para ti e por isso é
isto que vamos comer." Se não quer, paciência. Porque se a nossa criança
quer massa todos os dias e nós satisfazemos esse capricho, então quando
vamos comer a casa de amigos ou na escola eles não vão querer comer
porque não é massa. E aí a mãe tem um grande problema. É tudo uma
questão de flexibilidade e de os pais fazerem o seu filho sentir que ele
se consegue adaptar às coisas do mundo e que não é sempre o mundo que
se adapta a ele.
E dormir na cama dos pais, é proibido?
Não há um não ou um sim claro. Se a criança dorme bem, se os pais dormem
bem não há problema. Mas se isso é feito mais pelos pais do que pelas
crianças, se é o pai que precisa de conforto, então está errado.
E o que fazer durante as birras no supermercado, com as crianças que esperneiam no chão?
Mais uma vez, não há uma regra mágica. Se acha que já está há demasiado tempo no shopping
e que a criança está cansada, então a culpa é dos pais e é altura de ir
para casa. Se, por outro lado, passam o tempo todo "eu quero, eu
quero", é muito importante não ceder. E se a criança se atira para o
chão, que isso não afecte os pais porque é quando nos preocupamos com o
que os outros comentam que se tomam decisões erradas. Podemos deixá-la
espernear por 5 ou 10 minutos, esperar que acabe e continuar o que se
estava a fazer. Regras dão-lhes estrutura, um objectivo e, depois, o
sentimento de vitória quando o alcançarem.
Mas como podem os pais saber quando devem dizer sim ou dizer não?
É muito difícil. O livro não encerra nenhuma fórmula secreta, porque ela
simplesmente não existe. É importante não dizer sempre não, porque
seria ridículo, temos que escolher os nossos 'nãos' com muito cuidado,
os verdadeiramente importantes. E quando os escolhemos temos que os
segurar, não ceder. O que realmente não é bom para as crianças é dizer
não, não, não e depois dizer sim. Porque assim nunca saberão quais são
os limites. E uma criança usará os nossos argumentos, a nossa linguagem,
e vai lembrar-se sempre daquela vez em que dissemos sim - "Se naquele
dia deixaste porque não deixas hoje?" São muito lógicos e encostam-nos a
um canto com os seus argumentos.
Há alguma altura do dia mais propícia para a transmissão dessas regras? Se está a tentar impor limites comece nas alturas fáceis do dia -
nunca de manhã quando se corre para a escola e para o emprego.
Asha Phillips, psicoterapeuta infantil, 55 anos,
escreveu a primeira versão do livro em 1999. Um caso perdido na arte de
dizer não às duas filhas, procurou livros que a ajudassem. Como não
encontrou, escreveu ela a obra, com base nos casos que tratou na
Tavistock Clinic. "Acredite se quiser: ainda hoje o consulto". Viveu os
anos 60 em paris - encontra aí a fonte da sua permissividade - e parte
da vida na índia.
Actualmente, exerce a nível particular, atendendo
crianças, famílias e casais, em Londres. Na semana passada esteve em
Lisboa para apresentar a versão portuguesa de "Saying No". A tradução
"Um Bom Pai Diz Não" (Editora Lua de Papel) não a satisfaz plenamente -
"encerra um certo juízo de valor" -, mas adora o acrescento no canto
inferior direito da capa: "impor limites é uma forma de amar".
Texto publicado na edição do Expresso de 25 de Julho de 2009»
Ponto de vista interessante, que aborda a influência da boneca Barbie (Mattel) na imagem corporal de crianças e adolescentes (sexo feminino, essencialmente).
Um designer norte-americano criou um protótipo em 3D de uma Barbie muito
menos magra e mais curvilínea que vai "ao encontro ao corpo médio de
uma mulher".
Nickolay Lamm, do MyDeals.com,
criou o protótipo de uma boneca com proporções mais reais do que as da
Barbie, atualmente muito criticada por ter um tipo de corpo dificilmente
alcançável.
O protótipo de Lamm apresenta uma boneca mais baixa do que a atual, com pernas menos compridas, mais curvilínea e menos magra.
foto DR
O criativo usou as medidas padrão dos Centers for Disease Control and Prevention,
de uma rapariga de dezanove anos norte-americana, para criar um modelo
em 3D que se assemelhasse à boneca mais vendida em todo mundo.
Nickolas
fotografou depois o modelo 3D junto da Barbie que é usualmente vendida,
trabalhando-o depois, digitalmente, para que se assemelhasse a uma
boneca real.
"Se criticamos a magreza das modelos, devíamos pelo
menos estar abertos à possibilidade de que a Barbie pode também
influenciar negativamente as crianças", explicou o criativo por e-mail à
publicação norte-americana "The Huffington Post".
"Em todo o caso, uma Barbie proporcional à realidade também é igualmente atrativa", acrescentou Nickolay Lamm.
Lamm
lançou várias questões à Mattel, empresa que cria a boneca Barbie.
"Pode a Barbie, da forma como é produzida, influenciar negativamente o
comportamento das raparigas? Se a Barbie fica bem no corpo médio de uma
mulher norte-americana, o que está a impedir a Mattel de começar a
produzir uma?".
PSP organiza mais um concerto para bebés e crianças nas instalações da Direção Nacional.
No próximo sábado, 29 de Junho, às11h00,
a Polícia de Segurança Pública (PSP) realiza na Direção Nacional da PSP
mais um Concerto de Palmo e Meio, que tantos bons momentos tem
proporcionado a miúdos e graúdos nos últimos meses.
Porque o verão chegou e as temperaturas
convidam a ambientes mais frescos, este concerto ocorrerá no Salão Nobre
da Direção Nacional pois é tempo celebrar a alegria, a boa disposição e
as melodias para as crianças com a «temperatura certa». No entanto, os
claustros estarão abertos para que os que pretendam brindar ao sol o
possam fazer em pleno.
O concerto contará com algumas surpresas
dirigidas à pequenada: o concerto da Banda Sinfónica da PSP, a presença
do Falco (a mascote oficial da PSP) e um lanche com o apoio da
Sumol/Compal (Um Bongo) e da Padaria Portuguesa.
A entrada é gratuita, mas os lugares são
limitados a 50 crianças para que possam ser garantidas condições ótimas
para desfrutar deste momento único.
Informações úteis
Data e hora: 29 de junho de 2013, das 11h00 às 11h45. A chegada deverá ser feita por volta 10h30.
O Concerto de Palmo e Meio é gratuito, mas requer inscrição prévia.
Envie um e-mail para protocolo@psp.pt com o assunto Concerto para bebés ou telefone para o número 218 111 087.
É necessário indicar a idade da(s) criança(s) e informar quem são os adultos que a(s) acompanharão.
A PSP disponibiliza alguns lugares de estacionamento.
Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram
diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com
Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a
percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é
inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente
estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada
com relação a crianças na França?
TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a
resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos
Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos
consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O
tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes
psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.
Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como
uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez
de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os
médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está
causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o
contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do
contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar.
Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à
tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção
biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.
Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de
classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos
psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou
DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de
Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como
uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent),
lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco
do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais
subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.
Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e
reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos
crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de
TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião,
tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da
infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os
médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças
sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos
farmacêuticos.
A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar
causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o
comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de
alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os
médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os
pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as
intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o
foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva
os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o
comportamento das crianças.
E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil
nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam
explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem
comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos
parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé.
Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o
número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem
com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.
A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre - que significa
“matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças
tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos
específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente
pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer.
Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos
pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a
noite, com a idade de quatro meses.
Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto
os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática
esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os
pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites
aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se
sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a
criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a
minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os
pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças
da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada
criteriosamente, não é considerada abuso na França.
Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para
mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para
controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início
de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem
compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias
francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando
de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação
é muitas vezes o inverso.